Meditação ativa - Sri Aurobindo

 

 

 

 

 

 

 

 

Meditação Ativa
 
Quando nós nos sentamos, com os olhos fechados, para silenciar a mente, nós somos submergidos por uma torrente de pensamentos. Existe um modo de interromper essa agitação: tentar e tentar novamente, pacientemente, persistentemente. Acima de tudo não cometer o engano de lutar mentalmente com a mente. Deve-se alterar o centro.
 
- Podemos nos fixar em uma aspiração por Aquele a quem buscamos;
- Podemos tomar o auxílio de uma imagem, como a de um vasto oceano, sem ondas, onde descansamos flutuando e flutuando, nos tornamos aquela vastidão tranqüila;
- Ao mesmo tempo, experimentamos não apenas o silêncio, mas uma ampliação da consciência.
 
"Pode-se começar um processo de uma espécie ou outra para o propósito que poderia normalmente significar um prolongado labor, e ser tomado, mesmo no princípio, por uma rápida intervenção ou manifestação do Silêncio com um efeito fora de qualquer proporção ao meio utilizado no início. Começa-se com um método, mas o trabalho é tomado por uma Graça de cima, ou por aquilo a que se aspira ou por uma irrupção da infinitude do Espírito."
 
O Yoga desperta automaticamente, toda uma gama de faculdades latentes e forças invisíveis que ultrapassam consideravelmente as possibilidades de nosso ser superficial e que podem fazer por nós aquilo que normalmente somos incapazes.
 
"Você deve deixar limpa a passagem entre a mente exterior e algo no ser interior... pois eles (a consciência Yóguica e seus poderes) já estão lá dentro de você."
 
A melhor maneira de deixar a passagem limpa (aberta) é tornar a mente silenciosa.
 
E nós não somos capazes de saber quem somos nós, e menos ainda o que somos nós se não formos capazes de fazer isso.
 
Mas a prática da meditação não é a verdadeira solução para o problema (embora ela seja muito necessária no início para dar um impulso).
 
Nós podemos obter talvez um relativo silêncio, mas no momento em que colocamos o pé fora da sala (de meditação) ou de nosso retiro, caímos de novo em nosso habitual clamor e isso significa novamente a eterna separação do dentro e fora, da vida interior e da vida no mundo.
 
Necessitamos de uma vida completa a cada momento, não apenas nas férias ou na reclusão, e para isso, a meditação tradicional não é a solução.
 
"Nós podemos nos incrustar em nossa reclusão espiritual e descobrir depois que é difícil nos colocarmos triunfantemente no mundo exterior, e aplicar na vida prática nossos ganhos na Natureza mais alta. Quando tentamos acrescentar esse reino
externo também a nossas conquistas interiores, nos descobrimos muito acostumados a uma atividade puramente subjetiva e ineficiente no plano material.
 
Existe uma imensa dificuldade em transformar a vida e corpo exterior. Ou descobrimos que nossa ação não corresponde à luz interior: ela ainda segue os velhos caminhos equivocados de costume, ainda obedece às velhas e imperfeitas influências normais; a verdade dentro de nós continua a ser separada por um golfo doloroso do ignorante mecanismo de nossa natureza exterior... É como se estivéssemos vivendo em um outro mundo, mais amplo e mais sutil, e não tivéssemos nenhum domínio divino, ou talvez um pequeno domínio de alguma espécie, sobre a existência material terrestre.
 
A única solução é praticar o silencio da mente lá onde aparentemente é mais difícil, isto é, na rua, no metrô, no trabalho e em todo lugar.
 
Ao invés de ir ao centro da cidade sempre apressado, pode-se ir conscientemente, como um buscador; ao invés de viver ao acaso, disperso em uma multidão de pensamentos, pode-se juntar os fios da consciência e trabalhar em si próprio a cada momento, e a vida passa a adquirir um interesse não usual, porque a menor circunstância torna-se uma ocasião para uma vitória – nós estamos orientados, nós estamos indo a algum lugar, ao invés de ir a lugar nenhum.
 
O Yoga não é um modo de fazer, mas um modo de ser.